# 21 — Análise Exploratória

> **Estado da arte capturado em 2026-08** · última revisão 2026-08-10 · [histórico](../HISTORICO.md)
>
> **Nível: essencial.** Corpo escrito e prática funcionando; o aprofundamento (experimento próprio, todas as fontes conferidas, cláusula de expiração) vem em ciclo próprio — ver [níveis de maturidade](../GUIA-EDITORIAL.md#niveis-de-maturidade).

## Objetivos de aprendizagem

- **O1.** Calcular e interpretar medidas de tendência central e dispersão.
- **O2.** Escolher a medida adequada à distribuição — e detectar quando a média engana.
- **O3.** Formular hipóteses a partir de padrões observados, sem confirmá-las nos mesmos dados.
- **O4.** Identificar outliers e decidir, com critério declarado, o que fazer com eles.

## O problema: a rua em que ninguém ganha a média

Sete moradores de uma rua ganham entre 3 e 6 mil reais por mês. O oitavo ganha 400 mil.

A renda **média** da rua é 52 mil. O número está aritmeticamente correto e não descreve morador nenhum: não existe uma única pessoa perto dele. Um relatório que diga "renda média de R$ 52 mil" está tecnicamente certo e comunicacionalmente falso.

Antes de modelar, **olhe**. É a etapa que quase todo mundo pula e quase todo mundo lamenta ter pulado. A análise exploratória não é um relatório bonito: é a etapa em que você descobre que 30% da coluna de renda está zerada, que existem três grafias para a mesma cidade, e que o pico de vendas de março era um erro de importação. E o detalhe cruel é que **o modelo não reclama**: ele treina em cima do erro de importação, aprende o padrão errado e devolve uma métrica plausível. Quem tinha de reclamar era você, antes.

## De onde isto veio

**O aperto.** Início dos anos 1960. A estatística acadêmica havia se tornado quase sinônimo de **inferência formal**: testar, com rigor matemático, uma hipótese previamente formulada. Havia teoria elegante para a pergunta *"esse efeito é real?"* — e nenhum lugar legítimo para a etapa anterior, a de **olhar o dado antes de saber o que perguntar**.

**O que se fazia antes.** Ou se testava uma hipótese, ou não se estava fazendo estatística. Examinar os números sem hipótese na mão era, na melhor das hipóteses, uma preliminar informal que não entrava no artigo.

**A virada.** John Tukey nomeia **análise de dados** como disciplina própria — da qual a inferência é *um* componente, não o todo. É uma jogada de definição antes de ser técnica: uma vez que a exploração tem nome e estatuto, ela pode ter método. E aí vêm as ferramentas: o **boxplot**, o **stem-and-leaf**, e o hábito que atravessa tudo — preferir medidas **resistentes** a valores extremos.

**A ideia reaproveitável.** **Antes de testar a resposta, é preciso ter permissão para procurar a pergunta.** Um campo que só valoriza a etapa confirmatória fica cego para a etapa que *gera* a hipótese — e, pior, empurra essa etapa para a informalidade, onde ela acontece assim mesmo, só que sem método e sem registro. Vale muito além da estatística: teste automatizado só verifica o que alguém pensou em perguntar; nenhuma suíte verde descobre a pergunta que ninguém fez.

**O nome.** *Exploratory* opõe-se explicitamente a *confirmatory* — a dupla é dele, e **o par é o argumento**. Batizar a exploração sozinha seria dar nome a um hábito; com o par, vira divisão de trabalho: uma fase produz hipóteses, a outra as julga — e não se faz as duas com os mesmos dados.

| Quando | O quê |
|---|---|
| **1962** | ["The Future of Data Analysis"](https://www.stat.berkeley.edu/~brill/Papers/jwtencyc.pdf), nos *Annals of Mathematical Statistics* — o manifesto |
| **entre 1962 e 1977** | O material circula em cerca de três edições mimeografadas e pelas mãos dos alunos dele |
| **1977** | *Exploratory Data Analysis*, Addison-Wesley — [o livro](https://www.stat.berkeley.edu/~brill/Papers/EDASage.pdf) que virou a referência do assunto |

Repare no intervalo: **quinze anos** entre o manifesto e o livro. É o mesmo formato de 1943→1958 no [capítulo 18](18-neuronio-artificial.md) (neurônio → perceptron) e de 1927→1970 no [capítulo 24](24-series-temporais.md). **O intervalo é o conteúdo**: a ideia precisou de mais de uma década, de três rodadas de material mimeografado e de uma geração de alunos para deixar de ser heresia e virar cadeira de graduação. Tukey ainda reaparece na pré-história da validação cruzada ([capítulo 01](../01-fundamentos.md)) — a mesma intuição, aplicada a outro problema: não julgue com o dado que já foi usado para escolher.

**Procedência das afirmações desta seção:**

| Selo | Afirmação |
|---|---|
| ✓ᵐ | O aperto do início dos anos 1960 (a estatística acadêmica identificada à inferência formal) e a virada de Tukey — análise de dados como disciplina, com boxplot, *stem-and-leaf* e resistência |
| ✓ᵐ | A cronologia 1962 (*Annals of Mathematical Statistics*) → ~3 edições mimeografadas → 1977 (Addison-Wesley), pelas duas fontes ligadas acima — **localizadas, não lidas por inteiro** |
| ⏳ | Que, antes disso, "ou se testava uma hipótese, ou não se estava fazendo estatística" |
| ⏳ | Que o par *exploratory* / *confirmatory* é dele |
| ⏳ | A participação de Tukey na pré-história da validação cruzada (Mosteller & Tukey, 1968) |
| ⏳ | O quarteto de Anscombe (1973) e os valores citados adiante — atribuição corrente; primária não consultada |
| 📖 | A ideia reaproveitável ("permissão para procurar a pergunta") e a leitura do intervalo de 15 anos como padrão recorrente deste livro |

## Fundamentos: a média mente, a mediana aguenta

Volte à rua: `3, 3, 4, 4, 5, 6, 6, 400` (em milhares). A **média** é 52,1. A **mediana** — o valor que deixa metade dos dados de cada lado — é 4,5. A diferença não é de precisão, é de natureza: a média usa o *valor* de cada ponto, então um único extremo a arrasta sem limite; a mediana usa só a *posição*, e trocar o 400 por 4 milhões a deixa em 4,5. Isso se chama **resistência**, e é a propriedade que Tukey pôs no centro do método.

O mesmo par existe para dispersão:

| Pergunta | Distribuição simétrica, sem extremos | Assimétrica ou com extremos |
|---|---|---|
| Onde é o centro? | média | **mediana** |
| Quanto varia? | desvio-padrão | **IQR** (intervalo interquartil) = Q3 − Q1 |
| Que forma tem? | histograma | histograma **e** boxplot |

O desvio-padrão eleva as diferenças ao quadrado — o que dá ao ponto extremo um voto elevado ao quadrado. O IQR é a largura da faixa que contém os 50% centrais: ignora, por construção, as duas caudas.

**Como ler um boxplot.** A caixa vai de Q1 a Q3 (é o IQR), e o traço dentro dela é a mediana. Os "bigodes" se estendem até o ponto mais distante que ainda esteja dentro de 1,5 × IQR a partir da borda da caixa; o que sobra é desenhado como ponto individual. Três leituras saem de bater o olho: **onde está o centro**, **quão espalhado** é o meio dos dados, e **se a mediana está descentrada dentro da caixa** — sinal de assimetria.

**Assimetria é a regra, não a exceção.** Renda, tempo de resposta de API, valor de compra, número de sessões por usuário: quase tudo que tem piso em zero e não tem teto forma uma **cauda longa** à direita. Nessas distribuições, média > mediana sempre, e reportar a média é reportar a cauda.

:::exercicio {"id":"21-e1","tipo":"numerica","objetivo":"O1","dificuldade":"facil"}
Os salários mensais (em milhares de reais) de sete funcionários de uma equipe são:

`3, 3, 4, 4, 5, 6, 40`

Qual é a **mediana** desse conjunto?

> **gabarito:** 4
> **porque:** Os valores já estão ordenados e são sete — ímpar. A mediana é o valor da posição central, a quarta: **4**. Não há conta a fazer; há uma posição a contar.
>
> Compare com a **média**: (3+3+4+4+5+6+40)/7 = 65/7 ≈ **9,3**. Seis dos sete funcionários ganham *menos* que a média, e nenhum ganha algo próximo dela. O salário de 40 puxa a média em mais de cinco unidades e não move a mediana em nada — se ele fosse 400, a média iria a 60,7 e a mediana continuaria 4.
>
> O erro mais comum aqui é dividir a soma por sete por reflexo, sem reparar no enunciado. O segundo é ordenar errado quando a lista vem embaralhada: mediana **exige** ordenação. Com número par de elementos, é a média dos dois centrais.
> **volte para:** #fundamentos-a-media-mente-a-mediana-aguenta
:::

## Correlação: o que ela mede e o que ela não prova

A correlação de Pearson resume, num número entre −1 e 1, o quanto duas variáveis andam juntas **em linha reta**. As duas palavras finais são a armadilha inteira: uma relação forte e curva — um U perfeito, por exemplo — pode dar correlação próxima de zero. Correlação zero não significa "não há relação"; significa "não há relação *linear*".

O argumento definitivo contra confiar no número sem ver o gráfico é o **quarteto de Anscombe** (1973): quatro conjuntos de onze pontos cada, com médias, variâncias, correlação (≈ 0,816) e reta de regressão **praticamente idênticas** — e formas completamente diferentes quando plotados. Um é uma nuvem linear honesta; outro é uma curva perfeita; outro é uma reta com um ponto fora; o último é uma coluna de pontos e um único ponto distante que sozinho cria a correlação. Mesmo resumo numérico, quatro histórias.

E depois há a frase que todo mundo sabe repetir e quase ninguém aplica na hora certa: **correlação não é causalidade**. Diante de uma correlação forte, há sempre quatro explicações concorrentes, e só uma delas é a que você quer:

1. **A causa é a que você pensou** (X causa Y).
2. **A causa é a inversa** (Y causa X) — comum em dados operacionais: clientes com mais chamados de suporte cancelam mais, ou clientes prestes a cancelar abrem mais chamados?
3. **Há um confundidor** que causa as duas — o clássico: venda de sorvete e afogamentos sobem juntos porque é verão.
4. **É coincidência amostral** — teste 200 pares de variáveis e algumas parecerão correlacionadas por acaso.

Há ainda um quinto caso, específico de quem constrói modelos: **correlação altíssima com o alvo costuma ser vazamento**, não sorte. Se uma coluna prevê o alvo quase perfeitamente, a primeira hipótese não é "achei o atributo de ouro", é "essa coluna foi preenchida *depois* do desfecho" — o [capítulo 02](02-dados.md) trata disso.

:::exercicio {"id":"21-e2","tipo":"multipla","objetivo":"O2","dificuldade":"media"}
Duas colunas de um mesmo relatório têm média, desvio-padrão e correlação entre si praticamente idênticas às de outro par de colunas. Que conclusão é legítima?

- [ ] As duas relações têm a mesma forma; os resumos numéricos determinam o gráfico.
- [x] Nenhuma: resumos iguais são compatíveis com formas radicalmente diferentes — só o gráfico decide.
- [ ] Como a correlação é a mesma, um modelo linear serve igualmente bem nos dois casos.
- [ ] Se a correlação for alta nos dois casos, ambos os pares têm relação causal.

> **gabarito:** Nenhuma conclusão sobre a forma — é preciso ver o gráfico
> **porque:** É exatamente o que o quarteto de Anscombe demonstra: quatro conjuntos com médias, variâncias, correlação e reta de regressão iguais, e gráficos que não se parecem em nada. O resumo numérico comprime; e toda compressão descarta — a questão é sempre *o quê*.
>
> A terceira alternativa é a mais sedutora e a mais perigosa, porque a correlação é de fato o que a regressão linear otimiza. Só que num dos conjuntos de Anscombe a relação é uma **curva**: a reta ajustada tem os mesmos coeficientes e está sistematicamente errada em todo ponto. Em outro, a correlação inteira é produto de **um** ponto distante — remova-o e ela desaparece.
>
> A última confunde correlação com causalidade, e a primeira inverte a direção da inferência: o gráfico determina quais resumos fazem sentido, nunca o contrário.
> **volte para:** #correlacao-o-que-ela-mede-e-o-que-ela-nao-prova
:::

> **Um conjunto para praticar isto.** [`ml-zero/dados/limonada/`](../../ml-zero/dados/limonada/README.md) traz 365 dias de venda com um caso limpo do que esta seção afirma: `preco` correlaciona **+0,513** com as vendas, e o que essa correlação mede é o mês de julho. A exploração que revela isso é uma linha — `df.groupby("preco")[["temperatura","vendas"]].mean()` — e ela precede qualquer modelo. O desdobramento está no [capítulo 05](05-modelos-lineares.md#o-caso-da-limonada).

## Faltantes, outliers e a fronteira entre explorar e confirmar

**Faltantes.** A pergunta útil nunca é "como preencho?", é **"por que falta?"**. Falta ao acaso (o sensor caiu numa terça) é um problema de imputação. Falta por mecanismo (renda alta declarada com menos frequência) enviesa qualquer preenchimento pela média. E falta com significado — um campo que só existe para quem comprou — é vazamento disfarçado de ausência. Antes de qualquer `dropna()`, conte os faltantes **por coluna e por subgrupo**: um faltante concentrado numa região, num período ou num canal é sinal de processo quebrado, não de dado ausente.

**Outliers.** Um ponto extremo é uma de três coisas, e a única forma de decidir é olhar a linha inteira:

| O que é | Exemplo | O que fazer |
|---|---|---|
| **Erro de medida** | idade = 999, preço = −1 | corrigir ou remover, registrando quantos |
| **Evento raro legítimo** | a compra de R$ 400 mil que de fato aconteceu | manter; usar medida resistente ou transformação |
| **O próprio alvo** | a transação fraudulenta, a falha do equipamento | **jamais** remover — é o que você quer prever |

A regra de 1,5 × IQR do boxplot **marca candidatos, não decide nada**. Decidir exige critério declarado por escrito: o que foi removido, por qual regra, quantas linhas, e o que acontece com o resultado se a regra mudar. "Limpei os outliers" não é descrição de método; é a ausência de uma.

**E a fronteira.** Se você olha quarenta gráficos e escolhe o padrão mais forte, você não achou o efeito mais forte: achou o **extremo do ruído** — a coincidência amostral do item 4 acima, agora garimpada de propósito. É a armadilha que a dupla de Tukey existe para prevenir. A regra prática é simples e barata: **separe uma parte dos dados antes de começar a olhar** e não a toque; explore no resto à vontade; escreva a hipótese **antes** de testá-la na parte guardada. Explorar produz candidatas; confirmar exige dado que não participou da escolha. Fazer as duas coisas no mesmo conjunto é o mesmo erro que o [capítulo 04](04-avaliacao.md) combate quando o limiar é escolhido no teste.

O produto legítimo de uma boa exploração não é uma conclusão — é uma **lista de hipóteses ordenada por quanto valeria confirmá-las**, mais uma lista de problemas de dado a consertar. Transformar essa lista em gráfico que convence é o [capítulo 22](22-visualizacao-storytelling.md).

:::exercicio {"id":"21-e3","tipo":"aberta","objetivo":"O4","pontos":3,"dificuldade":"media"}
Você explora a base de vendas de uma rede de lojas e encontra 12 pedidos (de 400 mil) com valor acima de R$ 500 mil — a mediana dos pedidos é R$ 180. O modelo a treinar prevê o valor do próximo pedido de um cliente.

Escreva o que você faz com esses 12 pedidos: **como decide** e **o que registra**.

> **rubrica:** investiga a origem de cada ponto antes de decidir, em vez de aplicar uma regra automática;
> distingue explicitamente erro de medida, evento raro legítimo e alvo de interesse;
> propõe um critério declarado e reprodutível (regra escrita, contagem de linhas afetadas), não "limpei os outliers";
> considera o efeito da decisão sobre a métrica e sobre a escolha entre média e mediana;
> menciona documentar a decisão para quem for reproduzir ou revisar
> **porque:** Doze pontos em 400 mil não se resolvem por regra: resolvem-se **olhando as doze linhas**. Elas podem ser erro de digitação (um zero a mais), venda corporativa legítima (outro processo de negócio, que talvez mereça modelo próprio) ou fraude — e cada diagnóstico leva a uma ação diferente. O boxplot marca os candidatos; quem decide é quem conhece o processo que gerou o dado.
>
> O que separa uma resposta boa de uma correta é o **registro**. "Removi outliers acima de 500 mil (12 linhas, 0,003% da base, 4,1% da receita)" é método: qualquer pessoa reproduz, e a segunda frase já mostra que apagar 12 linhas apagou 4% da receita — o que provavelmente inviabiliza a remoção. "Limpei os outliers" não é reproduzível nem auditável.
>
> Repare no efeito colateral que quase sempre escapa: se as vendas corporativas ficam, o alvo é fortemente assimétrico, e otimizar erro quadrático médio faz o modelo perseguir a cauda. A decisão sobre outliers e a escolha da métrica são a **mesma** decisão tomada duas vezes.
> **volte para:** #faltantes-outliers-e-a-fronteira-entre-explorar-e-confirmar
:::

## Síntese — o que levar

- **Sempre olhe antes de modelar.** O modelo não avisa que a coluna está zerada; ele aprende o erro e devolve uma métrica plausível.
- Média usa o **valor** de cada ponto; mediana usa a **posição**. Por isso a mediana resiste a extremos e a média não.
- Distribuição assimétrica ou com extremos: **mediana + IQR**. Simétrica e limpa: média + desvio-padrão.
- O boxplot entrega centro, dispersão e assimetria numa olhada — e a regra de 1,5 × IQR **marca candidatos, não decide**.
- Resumo numérico comprime. O quarteto de Anscombe é a prova de que estatísticas idênticas convivem com gráficos irreconhecíveis.
- Diante de uma correlação forte, enumere as quatro explicações antes de escolher a sua — e desconfie de correlação altíssima com o alvo: costuma ser vazamento. Faltante também tem **causa**, e descobri-la vale mais que preenchê-lo.
- Explorar gera hipóteses; confirmar exige dado que não participou da exploração. Separe a parte guardada **antes** de olhar.

## Verificação

1. Um relatório diz "ticket médio de R$ 340". Que três perguntas você faz antes de usar esse número numa decisão?
2. Duas colunas têm correlação de 0,9. Liste as explicações possíveis e diga, para cada uma, que evidência adicional a distinguiria das demais.
3. Você encontrou, explorando, um padrão forte num segmento de clientes. Descreva o que precisa acontecer antes de esse padrão virar uma afirmação na apresentação para a diretoria — e por que a mesma pessoa que criou o boxplot também se preocupava com validação cruzada.
