Objetivos de aprendizagem
- O1. Calcular e interpretar medidas de tendência central e dispersão.
- O2. Escolher a medida adequada à distribuição — e detectar quando a média engana.
- O3. Formular hipóteses a partir de padrões observados, sem confirmá-las nos mesmos dados.
- O4. Identificar outliers e decidir, com critério declarado, o que fazer com eles.
O problema: a rua em que ninguém ganha a média
Sete moradores de uma rua ganham entre 3 e 6 mil reais por mês. O oitavo ganha 400 mil.
A renda média da rua é 52 mil. O número está aritmeticamente correto e não descreve morador nenhum: não existe uma única pessoa perto dele. Um relatório que diga "renda média de R$ 52 mil" está tecnicamente certo e comunicacionalmente falso.
Antes de modelar, olhe. É a etapa que quase todo mundo pula e quase todo mundo lamenta ter pulado. A análise exploratória não é um relatório bonito: é a etapa em que você descobre que 30% da coluna de renda está zerada, que existem três grafias para a mesma cidade, e que o pico de vendas de março era um erro de importação. E o detalhe cruel é que o modelo não reclama: ele treina em cima do erro de importação, aprende o padrão errado e devolve uma métrica plausível. Quem tinha de reclamar era você, antes.
De onde isto veio
O aperto. Início dos anos 1960. A estatística acadêmica havia se tornado quase sinônimo de inferência formal: testar, com rigor matemático, uma hipótese previamente formulada. Havia teoria elegante para a pergunta "esse efeito é real?" — e nenhum lugar legítimo para a etapa anterior, a de olhar o dado antes de saber o que perguntar.
O que se fazia antes. Ou se testava uma hipótese, ou não se estava fazendo estatística. Examinar os números sem hipótese na mão era, na melhor das hipóteses, uma preliminar informal que não entrava no artigo.
A virada. John Tukey nomeia análise de dados como disciplina própria, da qual a inferência é um componente, não o todo. É uma jogada de definição antes de ser técnica: uma vez que a exploração tem nome e estatuto, ela pode ter método. E aí vêm as ferramentas: o boxplot, o stem-and-leaf, e o hábito que atravessa tudo, o de preferir medidas resistentes a valores extremos.
A ideia reaproveitável. Antes de testar a resposta, é preciso ter permissão para procurar a pergunta. Um campo que só valoriza a etapa confirmatória fica cego para a etapa que gera a hipótese — e, pior, empurra essa etapa para a informalidade, onde ela acontece assim mesmo, só que sem método e sem registro. Vale muito além da estatística: teste automatizado só verifica o que alguém pensou em perguntar; nenhuma suíte verde descobre a pergunta que ninguém fez.
O nome. Exploratory opõe-se explicitamente a confirmatory — a dupla é dele, e o par é o argumento. Batizar a exploração sozinha seria dar nome a um hábito; com o par, vira divisão de trabalho: uma fase produz hipóteses, a outra as julga — e não se faz as duas com os mesmos dados.
| Quando | O quê |
|---|---|
| 1962 | "The Future of Data Analysis", nos Annals of Mathematical Statistics — o manifesto |
| entre 1962 e 1977 | O material circula em cerca de três edições mimeografadas e pelas mãos dos alunos dele |
| 1977 | Exploratory Data Analysis, Addison-Wesley — o livro que virou a referência do assunto |
Repare no intervalo: quinze anos entre o manifesto e o livro. É o mesmo formato de 1943→1958 no capítulo III.1 (neurônio → perceptron) e de 1927→1970 no capítulo II.7. O intervalo é o conteúdo: a ideia precisou de mais de uma década, de três rodadas de material mimeografado e de uma geração de alunos para deixar de ser heresia e virar cadeira de graduação. Tukey ainda reaparece na pré-história da validação cruzada (capítulo 0.2) — a mesma intuição, aplicada a outro problema: não julgue com o dado que já foi usado para escolher.
Procedência das afirmações desta seção:
| Selo | Afirmação |
|---|---|
| ✓ᵐ | O aperto do início dos anos 1960 (a estatística acadêmica identificada à inferência formal) e a virada de Tukey — análise de dados como disciplina, com boxplot, stem-and-leaf e resistência |
| ✓ᵐ | A cronologia 1962 (Annals of Mathematical Statistics) → ~3 edições mimeografadas → 1977 (Addison-Wesley), pelas duas fontes ligadas acima — localizadas, não lidas por inteiro |
| ⏳ | Que, antes disso, "ou se testava uma hipótese, ou não se estava fazendo estatística" |
| ⏳ | Que o par exploratory / confirmatory é dele |
| ⏳ | A participação de Tukey na pré-história da validação cruzada (Mosteller & Tukey, 1968) |
| ✓ | Os valores da tabela do quarteto, todos recalculados neste ciclo sobre os onze pontos de cada conjunto, a partir do anscombe distribuído com o R: as médias, as variâncias, as correlações de 0,816 (0,817 no quarto) e a reta 3,00 + 0,500x nos quatro. Também a forma do quarto conjunto, em que x só assume 8 e 19 |
| ✓ᵐ | A ficha do artigo de origem: F. J. Anscombe, "Graphs in Statistical Analysis", The American Statistician 27(1):17–21, 1973, 10.1080/00031305.1973.10478966. Conferência por DOI; o artigo não foi aberto, e por isso a atribuição dos dados a ele segue pela via do R, não pela leitura da tabela original |
| ✓ᵐ | John W. Tukey, "The Future of Data Analysis", Annals of Mathematical Statistics 33(1):1–67, 1962, 10.1214/aoms/1177704711 — ficha conferida. O texto não abriu (o repositório recusou a transferência) |
| 📖 | A ideia reaproveitável ("permissão para procurar a pergunta") e a leitura do intervalo de 15 anos como padrão recorrente deste livro |
Fundamentos: a média mente, a mediana aguenta
Volte à rua: 3, 3, 4, 4, 5, 6, 6, 400 (em milhares). A média é 52,1. A mediana, o valor que deixa metade dos dados de cada lado, é 4,5. A diferença não é de precisão, é de natureza: a média usa o valor de cada ponto, então um único extremo a arrasta sem limite; a mediana usa só a posição, e trocar o 400 por 4 milhões a deixa em 4,5. Isso se chama resistência, e é a propriedade que Tukey pôs no centro do método.
O mesmo par existe para dispersão:
| Pergunta | Distribuição simétrica, sem extremos | Assimétrica ou com extremos |
|---|---|---|
| Onde é o centro? | média | mediana |
| Quanto varia? | desvio-padrão | IQR (intervalo interquartil) = Q3 − Q1 |
| Que forma tem? | histograma | histograma e boxplot |
O desvio-padrão eleva as diferenças ao quadrado — o que dá ao ponto extremo um voto elevado ao quadrado. O IQR é a largura da faixa que contém os 50% centrais: ignora, por construção, as duas caudas.
Como ler um boxplot. A caixa vai de Q1 a Q3 (é o IQR), e o traço dentro dela é a mediana. Os "bigodes" se estendem até o ponto mais distante que ainda esteja dentro de 1,5 × IQR a partir da borda da caixa; o que sobra é desenhado como ponto individual. Três leituras saem de bater o olho: onde está o centro, quão espalhado é o meio dos dados, e se a mediana está descentrada dentro da caixa, que é sinal de assimetria.
Assimetria é a regra, não a exceção. Renda, tempo de resposta de API, valor de compra, número de sessões por usuário: quase tudo que tem piso em zero e não tem teto forma uma cauda longa à direita. Nessas distribuições, média > mediana sempre, e reportar a média é reportar a cauda.
analise-exploratoria-e1responda com um númeroOs salários mensais (em milhares de reais) de sete funcionários de uma equipe são:
3, 3, 4, 4, 5, 6, 40
Qual é a mediana desse conjunto?
analise-exploratoria-e12escolha umaDuas equipes medem o tempo de resposta de uma mesma API por uma semana. A equipe A reporta média 180 ms e desvio-padrão 640 ms. A equipe B reporta mediana 95 ms e IQR 40 ms. O que essa combinação de números já permite afirmar?
Olhe uma variável de cada vez
A análise monovariada é a primeira coisa que se faz e a que mais se pula. Antes de cruzar duas colunas, olhe uma: que tipo é, quantos valores distintos tem, onde está o centro, quanto ela varia, e o que há nas pontas.
analise-exploratoria-l1As cinco colunas numéricas do conjunto de 365 dias de venda de limonada. Em cima o histograma, embaixo o boxplot, na mesma escala horizontal — para você ver os dois falando da mesma distribuição.
A linha tracejada laranja é a média; a verde, a mediana. O afastamento entre elas é o sinal de assimetria mais barato que existe.
Percorra as cinco colunas e responda, para cada uma:
- A distribuição é simétrica? De que lado ela puxa?
- Há outliers pela regra da cerca de 1,5 × IQR? Quantos?
- A média é uma boa descrição desta variável — ou a mediana descreve melhor?
Duas colunas têm respostas surpreendentes. Os exercícios logo abaixo pedem os números que só o painel mostra — abra o laboratório antes de responder, porque o enunciado não os entrega.
analise-exploratoria-e6responda com um númeroAbra o laboratório e escolha a coluna preco. Quantos pontos a regra da cerca de 1,5 × IQR acusa?
analise-exploratoria-e4escolha umaVocê acabou de ver a cerca acusar 62 pontos em preco. Olhe, no painel do laboratório, o IQR e os valores distintos dessa coluna. Qual é a leitura correta?
Correlação: o que ela mede e o que ela não prova
A correlação de Pearson resume, num número entre −1 e 1, o quanto duas variáveis andam juntas em linha reta. As duas palavras finais são a armadilha inteira: uma relação forte e curva (um U perfeito, por exemplo) pode dar correlação próxima de zero. Correlação zero não significa "não há relação"; significa "não há relação linear".
O argumento definitivo contra confiar no número sem ver o gráfico é o quarteto de Anscombe (1973): quatro conjuntos de onze pontos cada, com resumo numérico igual e formas completamente diferentes quando plotados.
Vale ver o quanto "igual" é literal. Calculando sobre os quatro conjuntos:
| Estatística | Conjunto 1 | 2 | 3 | 4 |
|---|---|---|---|---|
| média de x | 9,00 | 9,00 | 9,00 | 9,00 |
| média de y | 7,50 | 7,50 | 7,50 | 7,50 |
| variância de x | 11,00 | 11,00 | 11,00 | 11,00 |
| variância de y | 4,127 | 4,128 | 4,123 | 4,123 |
| correlação | 0,816 | 0,816 | 0,816 | 0,817 |
| reta ajustada | 3,00 + 0,500x | a mesma | a mesma | a mesma |
E as formas: um é uma nuvem linear honesta; outro é uma curva perfeita; outro é uma reta com um único ponto fora dela; e no quarto o x vale 8 em dez dos onze pontos, com um único ponto em 19 que sozinho cria a correlação. Mesmo resumo numérico, quatro histórias.
E depois há a frase que todo mundo sabe repetir e quase ninguém aplica na hora certa: correlação não é causalidade. Diante de uma correlação forte, há sempre quatro explicações concorrentes, e só uma delas é a que você quer:
- A causa é a que você pensou (X causa Y).
- A causa é a inversa (Y causa X) — comum em dados operacionais: clientes com mais chamados de suporte cancelam mais, ou clientes prestes a cancelar abrem mais chamados?
- Há um confundidor que causa as duas — o clássico: venda de sorvete e afogamentos sobem juntos porque é verão.
- É coincidência amostral — teste 200 pares de variáveis e algumas parecerão correlacionadas por acaso.
Há ainda um quinto caso, específico de quem constrói modelos: correlação altíssima com o alvo costuma ser vazamento, não sorte. Se uma coluna prevê o alvo quase perfeitamente, a primeira hipótese não é "achei o atributo de ouro", é "essa coluna foi preenchida depois do desfecho" — o capítulo I.3 trata disso.
analise-exploratoria-e2escolha umaDuas colunas de um mesmo relatório têm média, desvio-padrão e correlação entre si praticamente idênticas às de outro par de colunas. Que conclusão é legítima?
analise-exploratoria-e8escolha umaA correlação de Pearson entre duas variáveis é 0,02. O que se pode concluir?
analise-exploratoria-e9escolha todas que valemUma exploração encontra correlação de 0,71 entre "número de chamados ao suporte" e "cancelamento do contrato". Quais explicações concorrem com "chamados causam cancelamento", segundo esta seção? (marque todas que valem)
Um conjunto para praticar isto.
ml-zero/dados/limonada/traz 365 dias de venda com um caso limpo do que esta seção afirma:precocorrelaciona +0,513 com as vendas, e o que essa correlação mede é o mês de julho. A exploração que revela isso é uma linha só,df.groupby("preco")[["temperatura","vendas"]].mean(), e ela precede qualquer modelo. O desdobramento está no capítulo II.2.
Faltantes, outliers e a fronteira entre explorar e confirmar
Faltantes. A pergunta útil nunca é "como preencho?", é "por que falta?". Falta ao acaso (o sensor caiu numa terça) é um problema de imputação. Falta por mecanismo (renda alta declarada com menos frequência) enviesa qualquer preenchimento pela média. E falta com significado (um campo que só existe para quem comprou) é vazamento disfarçado de ausência. Antes de qualquer dropna(), conte os faltantes por coluna e por subgrupo: um faltante concentrado numa região, num período ou num canal é sinal de processo quebrado, não de dado ausente.
Outliers. Um ponto extremo é uma de três coisas, e a única forma de decidir é olhar a linha inteira:
| O que é | Exemplo | O que fazer |
|---|---|---|
| Erro de medida | idade = 999, preço = −1 | corrigir ou remover, registrando quantos |
| Evento raro legítimo | a compra de R$ 400 mil que de fato aconteceu | manter; usar medida resistente ou transformação |
| O próprio alvo | a transação fraudulenta, a falha do equipamento | jamais remover — é o que você quer prever |
A regra de 1,5 × IQR do boxplot marca candidatos, não decide nada. Decidir exige critério declarado por escrito: o que foi removido, por qual regra, quantas linhas, e o que acontece com o resultado se a regra mudar. "Limpei os outliers" não é descrição de método; é a ausência de uma.
E a fronteira. Se você olha quarenta gráficos e escolhe o padrão mais forte, você não achou o efeito mais forte: achou o extremo do ruído, a coincidência amostral do item 4 acima, agora garimpada de propósito. É a armadilha que a dupla de Tukey existe para prevenir. A regra prática é simples e barata: separe uma parte dos dados antes de começar a olhar e não a toque; explore no resto à vontade; escreva a hipótese antes de testá-la na parte guardada. Explorar produz candidatas; confirmar exige dado que não participou da escolha. Fazer as duas coisas no mesmo conjunto é o mesmo erro que o capítulo II.1 combate quando o limiar é escolhido no teste.
O produto legítimo de uma boa exploração não é uma conclusão — é uma lista de hipóteses ordenada por quanto valeria confirmá-las, mais uma lista de problemas de dado a consertar. Transformar essa lista em gráfico que convence é o capítulo I.5.
analise-exploratoria-e3responda com suas palavrasVocê explora a base de vendas de uma rede de lojas e encontra 12 pedidos (de 400 mil) com valor acima de R$ 500 mil — a mediana dos pedidos é R$ 180. O modelo a treinar prevê o valor do próximo pedido de um cliente.
Escreva o que você faz com esses 12 pedidos: como decide e o que registra.
analise-exploratoria-e5responda com suas palavrasNo laboratório, escolha a coluna precipitacao e leia o painel: média, mediana, mínimo, máximo e quantos pontos a regra da cerca de 1,5 × IQR acusa.
Escreva um parágrafo de análise monovariada dessa variável, respondendo:
- a distribuição é simétrica? Para que lado puxa, e como você sabe?
- média ou mediana descreve melhor esta variável — e por quê?
- os pontos acusados são outliers? O que você faria com eles, e com que critério declarado?
analise-exploratoria-e10escolha umaUma analista cruza 40 pares de variáveis, encontra o padrão mais forte, e o reporta com o valor-p calculado sobre os mesmos dados. Qual é a crítica correta?
analise-exploratoria-e11escolha umaNuma base de transações de cartão, o modelo a treinar prevê fraude. A regra de 1,5 × IQR acusa 380 transações de valor muito acima do normal, e boa parte delas é fraude confirmada. O que fazer com esses pontos?
Mão na massa
Notebook pronto para executar — exploratoria_limonada.ipynb · abrir no Colab
O mesmo caminho do laboratório, agora com o código à vista: tipo de cada campo, contagem e nulidade, média × mediana × moda, decis e quartis (com a verificação de que P50 = Q2 = D5), histograma e boxplot desenhados juntos na mesma escala, e a regra da cerca de 1,5 × IQR calculada coluna a coluna.
Este é o único notebook da trilha que usa
pandasematplotlib— as duas já vêm no Colab. A razão está no ADR 0010: o assunto aqui é ler distribuição, e desenhar histograma à mão ensinaria sobre desenho. A conta em si (quantil, cerca, descritivas) está escrita à mão no laboratório, em 30 linhas de JavaScript.
Síntese — o que levar
- Sempre olhe antes de modelar. O modelo não avisa que a coluna está zerada; ele aprende o erro e devolve uma métrica plausível.
- Média usa o valor de cada ponto; mediana usa a posição. Por isso a mediana resiste a extremos e a média não.
- Distribuição assimétrica ou com extremos: mediana + IQR. Simétrica e limpa: média + desvio-padrão.
- O boxplot entrega centro, dispersão e assimetria numa olhada — e a regra de 1,5 × IQR marca candidatos, não decide.
- Resumo numérico comprime. O quarteto de Anscombe é a prova de que estatísticas idênticas convivem com gráficos irreconhecíveis.
- Diante de uma correlação forte, enumere as quatro explicações antes de escolher a sua — e desconfie de correlação altíssima com o alvo: costuma ser vazamento. Faltante também tem causa, e descobri-la vale mais que preenchê-lo.
- Explorar gera hipóteses; confirmar exige dado que não participou da exploração. Separe a parte guardada antes de olhar.
analise-exploratoria-e7responda com suas palavrasDesafio de fechamento. Explorando, você encontrou um padrão forte num segmento de clientes: quem compra pela manhã devolve muito menos. Descreva o que precisa acontecer antes de esse padrão virar uma afirmação na apresentação para a diretoria.
Verificação
- Um relatório diz "ticket médio de R$ 340". Que três perguntas você faz antes de usar esse número numa decisão?
- Duas colunas têm correlação de 0,9. Liste as explicações possíveis e diga, para cada uma, que evidência adicional a distinguiria das demais.
Estas duas não são corrigidas, e a omissão é deliberada: rendem mais numa discussão com alguém que discorde do que numa resposta escrita sozinho.